CRISE EUROPÉIA NÃO CAUSARÁ EXPLOSÃO NA ECONOMIA BRASILEIRA, AFIRMA GUSTAVO LOYOLA

(ACIFI, em 18 de abril de 2012)

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, abriu na noite de segunda-feira (dia 16) o ciclo de palestras de 2012, ação assinada pela CBN Brasil, a ACIFI e a Itaipu Binacional. O público, formado por empresários e acadêmicos acompanhou a palestra que teve como tema Perspectivas da Economia Brasileira.
O presidente da ACIFI, Roni Temp, saudou o público e destacou que as últimas semanas têm sido de boas notícias e possibilidades de projetos importantes para a cidade, como o Beira Foz, que pretende revitalizar toda a margem do Rio Paraná. “Saímos da reunião com os ministros, na última quinta-feira (dia12), com a certeza de que aquele antigo sonho da comunidade de Foz vai se concretizar. No dia 19 de maio teremos a segunda etapa desse projeto e isso consolida a dedicação e esforço de todos que atuam nesse projeto”, destacou Temp.
O presidente da ACIFI também destacou ainda a inauguração do Sicoob em Medianeira. “Essa cooperativa de crédito que nasceu dentro da associação comercial e hoje distribui mais de meio milhão de reais, todos os anos, aos seus cooperados”, acrescentou. No sábado, prosseguiu Temp, a ACIFI promoveu o Fórum Foz do Futuro, juntamente com parceiros como a OAB, Fundo Iguaçu, ABIH, ICVB, Comtur e Sindhotéis. “Cerca de 500 pessoas passaram a tarde no sábado, pensando, discutindo, escrevendo o futuro desta cidade”, observou o presidente da ACIFI.
“E nesta segunda-feira estamos recebendo Gustavo Loyola, um dos melhores economistas deste país, para falar sobre o Brasil e nosso futuro econômico”, disse ao saudar o palestrante.
Antes de entrar no tema central da palestra, a economia brasileira, Loyola fez uma análise da economia européia e prevê um cenário duradouro da crise. “A expectativa é que a crise econômica na Europa ainda dure muito tempo, uma vez que não é de solução fácil; porém não terá explosão que venha atingir a economia brasileira”, assegurou.
A fase de aceleração de crescimento após um período de quase paralisação, no final do ano passado, é animadora. “Agora, todos os motores estão acelerando; o crédito crescendo; a renda dos consumidores se elevando; o desemprego caindo e a confiança se mantendo num nível muito alto. Isso nos faz antecipar um crescimento de consumo nos próximos meses e da produção industrial”, analisou o ex-presidente do Banco Central.
Mas também causa preocupação, principalmente diante das dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira para ser competitiva no mercado externo, conseqüência do excessivo custo tributário. “O Brasil é um país muito caro para se produzir por causa da carga tributária e as diversas contribuições que incidem na folha de pagamento, a burocracia, a logística complicada e o custo elevadíssimo da energia”, finalizou.
MERCOSUL- Sobre o MERCOSUL, Loyola criticou a política expansionista do Brasil cujo critério foi a afinidade ideológica. “Foi uma idéia totalmente equivocada. Nada contra uma expansão organizada, coordenada, cadenciada, mas fazer isso no afogadilho, e com economias com pouca proximidade com o MERCOSUL, só adicionou mais problemas onde já havia problemas”, avaliou o palestrante.
Para o economista, a Argentina tem sido “pródiga” em impor restrições e usar a política comercial de maneira “muito agressiva” e “até desleal”. Ele afirma que os países integrados nunca conseguiram preencher totalmente a idéia de ser um mercado comum. “Sempre existiram barreiras no comércio entre os países, e também nunca se cumpriu a TEC (Tarifas Externas Comuns)”, lembrou Loyola.
China  – Sobre a China, Loyola confirma que a trajetória dessa potência econômica tende a mudar e ser menos competitiva. “Na China a tendência é que o país deixe de ser uma economia de mão-de-obra barata para se tornar uma economia de consumo. É um grande salto que a China pretende fazer: depender menos da sua mão de obra barata e mais na força da tecnologia, como vimos no Japão, no passado”, comparou. Esse processo, no entanto, virá a longo prazo uma vez que o povo chinês poupa muito mais do que consome.